No fim, tudo se resume a alguma carência emocional esquecida ou ignorada por anos a fio. E quando digo tudo quero dizer exatamente isso: tu-do. Gosto para filmes, livros, músicas, sabor do sorvete, homens. Amores e desamores. A escolha do que ver na TV. Cada passo dado, cada opção feita tem a pretenção de encobrir os buraquinhos (por mais microscópicos que sejam) cavados ao longo de um passado de traumas e desavanços. A verdade é que somos todos escravos de nós mesmos. E ao dizer todos me refiro a... bem, a mim. Creio que existem outros "eus" no universo, mas não estou a fim de englobar estes em meus draminhas atuais. Apenas sei que se formos analisar cada centímetro da minha vida, descobriremos que meu amor por uma poesia sobre um vendedor de sombrinhas vem de um dia chuvoso em que fui deixada na escolinha por alguns minutos a mais que o usual, ou que chocolate me dá dor de cabeça porque entupi a cara de brigadeiro em uma festinha de aniversário e alguma mãe mão-de-vaca brigou comigo. E que me apego a coisas - sejam estas pessoas, objetos, idéias - porque se tem uma coisa que aprendi nesse meio tempo é que tudo acaba, mais cedo ou mais tarde, então é errado desejar prolongar o tempo até o término?
Pelo visto sim, ou não estaria escrevendo agora.
Pelo visto sim, ou não estaria escrevendo agora.