Minha prima ficou noiva. A outra é praticamente a gerente da firma de sei-la-o-quê da minha tia avó. A terceira fugiu pra Australia. E nenhuma tem mais que 25 anos.
E tu, tatu, o que tem feito?
Nada. É o que parece, pelo menos. Tenho visto filmes repetidos. Tenho lido Sartre. Tenho transferido músicas via msn. Tenho trabalhado meio período. Tenho dançado no quarto. Tenho sofrido de cólicas. Tenho sonhado em fugir daqui, em largar tudo pra tocar piano em Nova York, em tatuar Carnival do Miró no meu braço, em ganhar na mega-sena, em conhecer o Bowie.
Nessas horas eu sinto que sou a garota-de-vinte-anos mais jovem e imatura de todos os tempos. Sei que não é verdade, mas enfim, vá discutir com sentimentos. E o pior (ou o melhor, vai saber...) é que dessa vez isso não me incomodou. O que há de errado em aspirar a uma vida não-tão convencional? Não digo que quero arrumar as malas e sair por aí sem um tostão para conhecer lugares exóticos, ná. Mas hoje acordei com vontade de dar um chute nas exigências do mundo real para "garotas-brasileiras-filhinhas-de-papai-de-classe-média", as quais definem carreira/casamento/aventura-planejada como pré-requisitos. Eu quero viajar para o exterior sem a obrigação de morar fora, quero ir ao MAM três vezes por ano, quero trabalhar com o que gosto sem preocupar com dinheiro (visto que não defini ainda o que gosto, essa parte é mais dificil), quero ser minha própria chefe, quero ler na praia em dias nublados, quero ser livre.
- O que você pretende fazer então depois de se formar?
[perguntou minha vó ontem depois do almoço, ao ver que as notícias sobre minhas primas provocou uma discreta cara-de-nojinho em mim]
- Ih, mãe, essa daí quer ser artísta.
[respondeu meu pai, em contraste a minha irmã que pretende dominar o mundo como dona de uma multi-tripli-nacional]
- O que essa garota tem na cabeça?
[presumo que foi a pergunta que minha vó fez quando eu não estava mais presente]
- Algodão doce.
[seria a resposta mais adequada]
E tu, tatu, o que tem feito?
Nada. É o que parece, pelo menos. Tenho visto filmes repetidos. Tenho lido Sartre. Tenho transferido músicas via msn. Tenho trabalhado meio período. Tenho dançado no quarto. Tenho sofrido de cólicas. Tenho sonhado em fugir daqui, em largar tudo pra tocar piano em Nova York, em tatuar Carnival do Miró no meu braço, em ganhar na mega-sena, em conhecer o Bowie.
Nessas horas eu sinto que sou a garota-de-vinte-anos mais jovem e imatura de todos os tempos. Sei que não é verdade, mas enfim, vá discutir com sentimentos. E o pior (ou o melhor, vai saber...) é que dessa vez isso não me incomodou. O que há de errado em aspirar a uma vida não-tão convencional? Não digo que quero arrumar as malas e sair por aí sem um tostão para conhecer lugares exóticos, ná. Mas hoje acordei com vontade de dar um chute nas exigências do mundo real para "garotas-brasileiras-filhinhas-de-papai-de-classe-média", as quais definem carreira/casamento/aventura-planejada como pré-requisitos. Eu quero viajar para o exterior sem a obrigação de morar fora, quero ir ao MAM três vezes por ano, quero trabalhar com o que gosto sem preocupar com dinheiro (visto que não defini ainda o que gosto, essa parte é mais dificil), quero ser minha própria chefe, quero ler na praia em dias nublados, quero ser livre.
- O que você pretende fazer então depois de se formar?
[perguntou minha vó ontem depois do almoço, ao ver que as notícias sobre minhas primas provocou uma discreta cara-de-nojinho em mim]
- Ih, mãe, essa daí quer ser artísta.
[respondeu meu pai, em contraste a minha irmã que pretende dominar o mundo como dona de uma multi-tripli-nacional]
- O que essa garota tem na cabeça?
[presumo que foi a pergunta que minha vó fez quando eu não estava mais presente]
- Algodão doce.
[seria a resposta mais adequada]